Alunos estão há mais de um mês sem merenda em escola no Acre, denuncia servidor
04/11/2026
(Foto: Reprodução) Escola Estadual Elvira Ferreira Gomes, no Acre, está sem merenda há mais de 1 mês
Arquivo pessoal
Alunos da Escola Estadual Elvira Ferreira Gomes, em Marechal Thaumaturgo, distante mais de 500 quilômetros da capital Rio Branco, estão há mais de um mês sem merenda escolar. A denúncia é de um servidor da instituição, que pediu para não ter o nome divulgado, feita ao g1.
A falta de alimentos, conforme o servidor, afeta mais de 400 estudantes e tem provocado até a redução do tempo das aulas.
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Segundo ele, o problema de abastecimento não é recente e ocorre de forma recorrente desde o início do ano, com períodos de interrupção que chegam a 10 ou 15 dias. "Esse ano está complicado. Antes, a merenda era bem mais regular. Agora falta, passa 10, 15 dias e depois chega novamente. A equipe gestora não está parada, está sempre buscando resolver esse problema, mas não consegue", relatou.
Agora no g1
Ao g1, a Secretaria de Educação confirmou o atraso na entrega e disse que está trabalhando para solucionar os problemas relacionados ao transporte e assim, "garantir que o reabastecimento da alimentação escolar seja realizado o mais rápido possível", diz trecho. (Veja nota mais abaixo)
Atualmente, conforme o relato, a escola não possui alimentos no estoque. O funcionário soube que a equipe gestora já encaminhou diversos ofícios solicitando o envio de novos itens, mas não recebeu uma previsão para a regularização do abastecimento.
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A escola funciona nos três turnos, com ensino médio nos períodos da manhã e da tarde e Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite. Cerca de 40% dos estudantes são moradores da zona rural e precisam percorrer longas distâncias de barco para chegar às aulas. Alguns saem de casa cerca de 4h.
Segundo o servidor, no período da manhã, as aulas começam às 7h e, normalmente, terminam às 12h30. Com a falta de merenda, a unidade passou a reduzir o tempo das aulas dos três turnos, de 60 para 50 minutos, mantendo cinco horários por dia.
Conforme a denúncia, alguns alunos conseguem comprar lanches em estabelecimentos próximos ou recebem alimentos entregues por familiares. Outros, principalmente os que vivem na zona rural, enfrentam mais dificuldades por causa das condições financeiras e da distância até suas casas.
"Alguns conseguem comprar merenda lá fora da escola, geralmente quem mora na cidade e tem mais condição, mas outros, sobretudo os que moram no interior, que são cerca de 40% e não podem, porque as condições são poucas. Essa é a única escola de ensino médio aqui da cidade", lamenta.
Falhas de logística
Outro problema apontado pelo servidor é a logística de transporte da merenda até Marechal Thaumaturgo. Como parte dos alimentos chega por embarcações, o deslocamento pode aumentar o tempo de espera e dificultar o abastecimento da unidade.
Ele relatou ainda preocupação com a qualidade de alguns produtos recebidos, especialmente carnes, que, segundo ele, já chegaram em condições inadequadas para o consumo.
Além da falta de merenda, o denunciante mencionou pendências relacionadas à infraestrutura da escola. Entre elas está a reforma da cobertura da quadra esportiva, que teria sido anunciada, mas ainda não foi executada.
"É muito complicado. Quando chega aqui, a carne muitas vezes não vem em boas condições. A direção acaba tendo que aproveitar o que consegue, porque, se jogar fora é pior e vai faltar ainda mais para os alunos", afirmou.
Nota da Secretaria de Educação
O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), informa que, em razão de dificuldades logísticas, houve atraso na entrega de gêneros alimentícios à Escola Estadual Elvira Ferreira Gomes.
A Secretaria está trabalhando para solucionar os problemas relacionados ao transporte e garantir que o reabastecimento da alimentação escolar seja realizado o mais rápido possível.
A SEE esclarece que os alimentos não perecíveis são enviados em quantidades previstas para atender aproximadamente 45 dias, enquanto os perecíveis, como as carnes, são entregues, em média, a cada 15 dias, em razão das condições de conservação e da capacidade de armazenamento das unidades escolares.
Nas escolas de difícil acesso, as carnes são transportadas congeladas para preservar sua qualidade. Quanto à denúncia sobre a qualidade das carnes, a SEE informa que não recebeu, até o momento, registros ou notificações formais de produtos entregues em condições inadequadas nessa unidade.
Os gestores escolares são orientados, conforme os procedimentos estabelecidos pela Secretaria, a verificar as condições dos alimentos no ato do recebimento, recusar produtos que estejam em desacordo com as especificações contratuais e registrar formalmente qualquer irregularidade, acompanhada das devidas comprovações, para que sejam adotadas as providências cabíveis.
Rio Branco-AC, 3 de novembro de 2026. Reginaldo Prates - Secretário de Estado de Educação e Cultura
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