Madrasta de menina internada por suspeita de ingerir soda cáustica se entrega à Justiça no Acre
14/07/2026
(Foto: Reprodução) Mãe de menina suspeita de ingerir soda cáustica relata violência
Após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça, a madrasta da menina de 11 anos internada após a suspeita de ingerir soda cáustica, em Rio Branco, foi presa no fim da tarde dessa segunda-feira (13), após se apresentar ao Ministério Público do Acre (MP-AC). Ela deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (14).
Ao g1, a Polícia Civil informou que o pai da criança, que também teve a prisão preventiva decretada pelos supostos crimes de tentativa de homicídio qualificado e maus-tratos, ainda não foi localizado e segue foragido.
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A defesa da madrasta, representada pelo advogado Valber Fontinele, informou ao g1 que ela se entregou por orientação da defesa e que está a disposição da Justiça.
"Outro ponto é que a acusada está grávida de quatro meses. Tem um filho que ainda amamenta de um ano e também é vítima. Conforme os documentos juntados, ela também geriu soda cáustica. Eu quero ver agora a proteção também da mulher, porque a lei defende a criança e defende a mulher em situação de vulnerabilidade. Não no tocante à questão criminal, mas sim pela qualidade de mulher vulnerável, grávida que amamenta e também é vítima de violência", disse.
👉 Contexto: A menina foi internada no dia 3 de julho após a suspeita de ingerir soda cáustica em uma casa no bairro Apolônio Sales, em Rio Branco. A Polícia Civil investiga a denúncia de que a madrasta teria obrigado a criança a ingerir a substância. Ela segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança. O caso está sob segredo de Justiça.
Ainda segundo a Polícia Civil, o advogado da investigada entrou em contato com o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-AC para apresentá-la.
Após este procedimento, ela foi encaminhada à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) onde permanece à disposição da Justiça. A prisão preventiva do casal foi decretada no último sábado (11), a pedido do MP-AC.
Mãe de menina internada após suspeita de ingerir soda cáustica diz que sofreu violência e ficou mais de oito anos sem ver a filha
Rede Amazônica
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O órgão aponta que os crimes teriam sido cometidos por meio cruel e no contexto de violência doméstica e familiar contra a criança, além de maus-tratos majorado pela idade da vítima.
A Justiça considerou, entre os fundamentos da decisão, a vulnerabilidade da menina, a necessidade de garantir a instrução criminal e o risco de reiteração das condutas. No caso do pai, a decisão também levou em conta indícios de fuga.
Violência doméstica
A mãe da menina afirmou que sofreu violência doméstica durante o relacionamento com o pai da criança e que, por este motivo, foi impedida de conviver com a filha por mais de oito anos.
A mulher, que não será identificada na reportagem, contou à Rede Amazônica Acre que teve contato pessoal com a menina somente até os 3 anos de idade. Ela mora na zona rural de Boca do Acre (AM) e chegou à capital na última terça-feira (7) para prestar depoimento e acompanhar a recuperação da filha.
Segundo ela, quando chegou ao hospital, a equipe médica confirmou que a menina ingeriu soda cáustica e orientou que evitasse perguntas sobre o caso para não causar sofrimento à criança durante a recuperação.
"Quando eu entrei, a médica falou que tinha uma surpresa para ela. Quando ela olhou para mim, me reconheceu. Ela começou a chorar e eu também. Eu só falei que estava do lado dela, que ela tinha uma mãe e que não ia abandonar ela", disse.
Menina recebeu sandálias, cobertores, pijamas, lenço umedecidos e alguns brinquedos
Redes sociais/ Instagram
Conselho Tutelar assiste criança
A menina está internada e recebe atendimento especializado. Segundo o Conselho Tutelar, toda a rede de proteção foi acionada desde que o caso chegou ao conhecimento das autoridades.
O conselheiro tutelar Celson Inácio afirmou que todos os direitos da criança estão sendo assegurados e fez um alerta para que pessoas não utilizem a imagem da menina nem façam campanhas de arrecadação em nome dela pelas redes sociais.
“A criança está com todos os direitos garantidos e toda e qualquer situação que ela precisar será assegurada pela rede de proteção. Ninguém tem prerrogativa legal para divulgar imagem ou pedir Pix para essa criança'', orientou.
Segundo ele, qualquer necessidade da vítima será atendida pelos órgãos competentes, em conjunto com a assistência social do município, conforme prevê a legislação.
Investigação
Além da investigação conduzida pela Polícia Civil, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou uma notícia de fato para acompanhar o caso.
O órgão informou que solicitou perícia no produto químico que pode ter sido ingerido pela criança e nas lesões sofridas por ela, além de acompanhar as medidas protetivas adotadas pelo Conselho Tutelar.
O procedimento apura a possível prática de crimes como tentativa de homicídio, tortura e maus-tratos. A Polícia Civil informou anteriormente que não comentará o caso neste momento para não prejudicar as investigações.
VÍDEOS: g1