Universidade lança campanha contra assédio após professor ser denunciado por aluna e afastado no AC; VÍDEO
30/09/2026
(Foto: Reprodução) Universidade lança campanha contra assédio após professor ser afastado no Acre
Após o professor de medicina veterinária Eduardo Mitke Brandão Reis ser afastado depois que uma estudante denunciá-lo por supostas condutas de importunação sexual, a Universidade Federal do Acre (Ufac) lançou uma campanha de prevenção e combate ao assédio no campus.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o reitor Josimar Batiafirmou que garantir um ambiente seguro começa com respeito e dignidade, e que a campanha busca trazer uma convivência ética no espaço universitário. (Veja o vídeo acima)
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“Combater o assédio é um dever coletivo, exige responsabilidades de todos nós, para identificar, não tolerar e não se calar diante de qualquer violação. Prevenir e combater o assédio exige atenção constante aos nossos comportamentos e as nossas atitudes no cotidiano da universidade. Construir um espaço seguro e acolhedor é um compromisso permanente de nossa intuição”, diz.
Eduardo Mitke Brandão Reis é professor da Ufac e foi afastado, de forma cautelar, após denúncias de assédio
Reprodução/Lattes
Na publicação, a instituição destacou ainda que a campanha busca reforçar o compromisso de garantir um ambiente seguro de aprendizagem, trabalho e convivência para toda a comunidade.
A universidade reforçou também a disponibilidade da Ouvidoria, por meio da plataforma Fala.BR, para orientação, acolhimento sigiloso ou denúncias.
Relembre o caso
Eduardo Mitke Brandão Reis foi afastado cautelarmente das funções por 60 dias após a estudante Isabele da Costa Barbosa, de 27 anos, denunciá-lo por supostas condutas de importunação sexual. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última sexta-feira (25).
O g1 entrou em contato com o professor e com a defesa dele e, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.
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Ao g1, Isabele da Costa, que autorizou a identificação e o uso da imagem na reportagem, afirmou que as investidas começaram em 2023, quando cursava a disciplina de Forragicultura ministrada pelo professor.
Segundo ela, a situação se estendeu por anos e passou a afetar a vida acadêmica e profissional. Um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) foi registrado em 29 de maio deste ano.
Isabele da Costa Barbosa, de 27 anos, denuncia professor da medicina veterinária da Ufac por assédio
Arquivo pessoal
A portaria que determinou o afastamento de Eduardo foi assinada pelo reitor da Ufac, Josimar Batista Ferreira, e estabelece que ele fique afastado do exercício do cargo por 60 dias, sem prejuízo da remuneração.
“Eu cansei de tudo isso, a minha vida foi destruída por esse cara, eu perdi meu emprego, perdi meu carro, perdi tudo que eu tinha pra tentar passar na matéria desse cara. Eu tô presa nisso”, disse.
Em nota enviada ao g1, a Ufac informou que o processo tramita em caráter restrito e sigiloso, mas que a denúncia segue em apuração. Ainda segundo a instituição, também foi oferecido atendimento à aluna.
A estudante está no curso há quase dez anos. Ela ingressou na universidade aos 17 anos e afirma já ter concluído entre 80% e 90% da graduação. O problema, segundo ela, é que a disciplina ministrada pelo professor é pré-requisito para outras matérias.
Anúnico do lançamento da campanha foi feito nas redes sociais da universidade
Jhenyfer de Souza/g1 Acre
“Eu desisti do meu emprego, de ter uma carreira profissional que eu já tava construindo. Eu desisti de tudo isso pra tentar passar na matéria desse homem”, disse.
Em meio à situação, Isabele passou a publicar críticas nas redes sociais sobre a forma como a disciplina estava sendo conduzida. Ela afirmou que fez uma publicação pouco antes de uma prova e que, depois disso, o professor cancelou a avaliação e deixou grupos de comunicação ligados à Medicina Veterinária.
Para Isabele, expor a própria história nas redes sociais foi uma decisão que tomou apenas depois de outras tentativas de buscar ajuda. A estudante disse que teme que o afastamento seja apenas temporário e que, ao fim dos 60 dias, o professor retorne antes que a situação seja resolvida.
A estudante diz que pretende acompanhar as investigações na universidade e na Polícia Federal. Ela afirma que ainda não recebeu retorno sobre o procedimento federal e que pretende procurar pessoalmente a instituição para saber a situação do caso.
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